Eden Cohen é um médico renomado da Zona 01. Tendo nascido na Zona 04, filho de um casal de fazendeiros bem sucedidos; acabou se mudando para a primeira zona jovem, com o intuito de ter melhores oportunidades de estudo na famosa Instituição Saint Faust, tendo vivido uma parte da adolescência no Internato, até se mudar para uma casa própria após atingir a maioridade, Formou-se em Medicina pela Universidade Faulkner, atualmente trabalhando no Hospital da Trindade; além de viver com o irmão caçula, Levi Cohen. Sua idade é desconhecida, mas especula-se que tenha entre 27 e 30 anos. É conhecido por ser um homem muito reservado a respeito de sua vida pessoal, porém tão bondoso quanto. Sendo muito gentil com todos que vão até ele, dentro ou fora do ambiente profissional.
Esta é a descrição popular da conduta e história de vida do homem conhecido como Eden Cohen. Mal sabem as pessoas que essa imagem perfeita não representa nem a ponta do icebergue da vida deste rapaz que na verdade, nascera na Tango, Zona 02, no dia 28 de Março, sob o nome de Elijah. Primogênito de uma mãe solteira, ele não possui nenhuma lembrança da época em que viveu na segunda zona, dada a pouca idade em que foi tirado da mulher que lhe deu a luz num momento de distração da mesma. Ele tinha quantos anos quando se perdeu? 2? 3? Não sabe, não lembra e não liga. Apenas está ciente de que desde que se entende por gente esteve ali, junto a facção, que acabou por se tornar sua nova família.
Mas vamos explicar essa história por partes. A começar pelo fato de que a única semelhança entre sua história real e a fantasiosa é que sim, sua idade é um mistério. Ele tá próximo dos trinta ou já tem de fato trinta? Ninguém sabe dizer, já que ele não possui conhecimento de quando nasceu. Seus raptores também não fazem ideia, apesar de terem escolhido qualquer ano que combinasse com a idade que ele aparentava ter, por questões burocráticas.
Tendo uma personalidade inclinadamente observadora desde muito jovem, Elijah não demorou a perceber que agir de forma complacente só lhe traria vantagens, sendo do tipo que agia com bastante obediência perante seus superiores. Se perguntassem quantas vezes já causou algum tipo de problema, a resposta certamente seria nenhuma porque ele sempre foi muito bom em cumprir ordens. Bom até demais, o que acabou por torná-lo ao mesmo tempo que grato e leal a facção, uma pessoa cruel, que deliciava-se ao presenciar o sofrimento alheio. Enquanto outras cobaias viviam aterrorizadas com tudo que era feito na fortaleza da F3, ele deleitava-se com esse terror, aprovando o sofrimento que cada um ali vivia, ainda que guardasse isso para si.
Evidentemente, essa sede de sangue foi notada por pessoas muito mais experientes que ele e que acharam melhor direcionar o sadismo em desenvolvimento para algum propósito interno ao invés de simplesmente deixá-lo sendo conservado para que um dia explodisse, o que claramente não seria bom.
Então foi aos doze anos que teve sua primeira experiência com um corpo humano. Muitas cobaias ficavam em estados lamentáveis após passar por experimentos. Algumas tão a beira da morte que acabava sendo mais vantajoso simplesmente matá-las de uma vez que gastar tempo, dinheiro e profissionais numa tentativa de recuperação. E eram estas cobaias quase mortas que chegavam até as mãos ávidas por sofrimento do pré-adolescente que recebeu a autorização para fazer o que bem entendesse com elas, desde que elas morressem e daí já dá para entender que ele não poupava nenhuma dessas pobres almas de sentir dor em seus momentos finais.
Testar o tempo que cada cobaia levava para perecer era um passatempo bem divertido e ele ficava bem chateado quando elas cediam ao beijo da morte facilmente. Poxa, era tão difícil assim suportar um olho furado ou uma carne cortada por mais algum tempinho para que ele pudesse se divertir? Bando de mal-agradecidos!
Sim, Elijah ou melhor 4851, tinha uma lógica bem deturpada do que era certo desde sempre, então ver pessoas morrendo tão facilmente ao invés de simplesmente resistir, o dava a entender que elas simplesmente não estavam sendo gratas o suficiente a ele por ser bondoso por atrasar a morte alheia. Mas enfim, apesar dessa conduta questionável, sempre ficou claro para a facção a inclinação para a carreira médica que o rapazinho tinha e o quanto seria útil ter um médico leal ao lado deles. Então enquanto umas cobaias eram usadas em experimentos, outras treinavam para o entretenimento e outras se tornavam cientistas e consequentemente, funcionários da própria facção; ele era treinado para desenvolver habilidades medicinais ao mesmo tempo que o moldavam para o personagem que assumiria em alguns anos.
É importante ressaltar que ser leal não significava que não passasse pelo treinamento intenso da facção. Ele apenas sofria menos e por não arrumar problemas ou se opor, acabava sendo recompensado pelo seu bom comportamento.
Quando disseram que ele só tinham aproximadamente um ano para se adequar a sua futura nova identidade, foi isso que ele fez. Seguiu o protocolo e se tornou uma pessoa nova. Não foi tão difícil assim já que, apesar de tudo, ele sempre se forçou a se dar bem com todos. Seu jeito observador de ser ajudava-o a saber como tratar qualquer um, então nenhuma cobaia desconfiava da pessoa podre que ele era por dentro.
Então, aos 15 anos, mudou-se para a Zona 01. Mas respectivamente para o Internato Saint Faust, sob o nome de Eden Cohen, com uma história decorada e redecorada mil vezes na ponta da língua. Seu objetivo ali, de acordo com o backstory fornecido pela F3, era ter melhores oportunidades de estudo para que no futuro se formasse como médico. Isso não estava longe de ser uma verdade, já que a intenção era mesmo ter um bom histórico escolar e consequentemente, um diploma; mas também não era sua única razão para estar ali. Além de estudar, também haveria de ficar de olho nos filhos de figuras notáveis da Zona 01, assim como nos filhos de cientistas que estudavam no Instituto.
Por ser menor de idade, Eden tinha um suposto tutor que o visitava mensalmente para verificar como ele estava ou se precisava de algo. Quando na verdade se tratava de um membro da facção conferindo se tudo estava sob controle e lhe passando novas ordens. Em suas férias, retornava a facção para continuar seu treinamento e poder libertar todo o desejo que tinha de causar dor e sofrimento nos outros. Controlando cada vez mais as suas vontades com o passar dos anos ao ponto de se saciar com obras fictícias ou com confissões dramáticas de períodos tortuosos que chegavam até si; não desperdiçando nenhuma oportunidade de usar as próprias mãos quando tinha a chance, é claro.
Do Instituto, saiu com uma boa imagem e com bastante afetos, ainda que no fim ele não tivesse se apegado a ninguém realmente. Talvez vivesse aí a razão de seus problemas: ele não conseguia gostar de ninguém de forma genuína, se apegando aos ideais da facção, em vez disso. Felizmente, saiu da adolescência sem ceder a nenhum tipo de impulso que esta fase da vida podia ter, sendo o famoso cara certinho que não possuía vícios e evitava situações carnais (pensavam alguns que por timidez ou vergonha, mas na verdade era por completa falta de interesse). Não sendo uma surpresa para ninguém quando foi aceito na Universidade Faulkner, fosse por realmente ser alguém notável ou porque a facção mexeu seus pauzinhos.
No período em que passou estudando, ele estava sempre no grupinho de primeiros da turma. Tendo se especializado em mais de uma área após sua graduação. Estas que foram escolhidas pela facção, com exceção de uma, que ele pôde escolher como forma de recompensa pelo bom trabalho que vinha fazendo.
Neste meio tempo, acabou se mudando para uma casa maior, já que a facção decidiu que ele teria um irmão mais novo. E bom, como sua família falsa família nunca foi muito citada por si, que sempre preferiu manter o sigilo, não foi impossível encaixar um irmão caçula em sua história de vida.
Evidentemente, essa ideia não o agradava. Vinha tendo bastante privacidade durante um tempo considerável, então ter que simplesmente dividir o mesmo espaço que um desconhecido o incomodava. Mas antes um irmão mais novo que um cônjuge, então ele se esforçou para dar certo. Principalmente por ter visto no garoto a oportunidade perfeita de descontar suas frustrações diárias e ele teria que aceitar isso calado, era perfeito.
Acabou que o tal Levi não era tão insuportável assim. Ele sabia se manter no seu lugar e respeitava o espaço dele. Claramente, eles não nutriam nenhum afeto pelo outro e nem tentavam, apenas sabiam que deveriam ser convincentes ao fingir nos momentos certos e nisso os dois se saíam bem. Com base em alguns acertos que fizeram, os dois conseguiam conviver sem que nenhum dos dois lados morresse, ainda que a desconfiança fosse mútua.
Atualmente, Eden trabalha no Hospital da Trindade, um hospital conceituado que ele suspeita ser propriedade da facção, já que é recorrente que membros da mesma se consultem nele. Ele também oferece seus serviços em duas ou três maternidades da Zona, sendo um dos responsáveis por trás dos roubos de bebês que a facção promove na Zona 01 eventualmente, apesar de ninguém desconfiar já que eles supostamente morrem.
Devido a seu status, vive de forma bastante luxuosa. Então apesar dos pesares, gosta bastante da vida que tem e é totalmente grato a F3 por tudo que ela já fez por ele. Retribuindo não só com seu trabalho, mas também com devoção.